sábado, 28 de dezembro de 2013

A educação no Brasil

O capital humano tem-se mostrado muito importante para o desenvolvimento das economias. Setores público e privado tem feito diversos investimentos neste tipo de capital.

A educação é um dos melhores meios de se analisar o capital humano. Assim utilizando os dados da Pnad (pesquisa nacional de amostras por domicílio) 2011 é possível verificar como tem sido a evolução desta variável no Brasil.

O que chama atenção é o fato de crianças estarem começando cada vez mais cedo suas vidas escolares, reflexo do aumento da participação feminina no mercado de trabalho que tem feito as mães trabalhadoras procurarem por creches e pré-escolas. O aumento na frequência de crianças com 0 a 3 anos de idade passou de 10% em 2001 para 21% em 2011. Enquanto a mesma frequência para idade de 4 a 5 anos passou de 55% em 2001 para 77% em 2011, podendo em parte seu crescimento ser atribuído aos programas assistenciais do governo que obrigam a matricula nas escolas.  

Ainda em 2011, cerca de 98% das crianças entre 6 e 14 anos estavam matriculadas, contra 95% em 2001. Mas o ciclo seguinte é sinal de alerta para os formuladores de políticas educacionais. Os números mostram que após os 14 anos, as matrículas decrescem e pior, é a não melhora (houve uma estagnação) neste
cenário. Mostrando que em média  15% dos jovens entre 15 e 17 anos desistem de estudar. 

Já na faixa entre os 18 e 24 anos, um outro número que chama atenção. Cerca de 40% dos estudantes desistem de seguir adiante no ensino. Aqui, temos que mesmo com o aumento no número das instituições privadas de ensino superior, bem como aumento nas vagas das instituições públicas, uma grande parte da população brasileira ainda continua sem acesso ao ensino superior.

O nordeste é a região que mais avançou, chamando atenção principalmente pelos seus programas de alfabetização na idade certa.

A pesquisa mostra através de seus números, que pelo menos quantitativamente a educação brasileira tem avançado na última década, embora ainda existam fatores que devem chamar a atenção do público para busca de soluções rápidas, como o gargalo que há entre a educação dos jovens que acabam desistindo dos estudos.

Além dos avanços nas políticas públicas, há também de se destacar o envolvimento do setor privado na educação brasileira, com seus fundos de financiamentos estudantis, principalmente para o ensino superior. 

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Try before you buy: Um conceito que não funciona no Brasil

Já imaginou entrar em uma loja e poder levar para casa produtos gratuitos? Esse conceito de loja existe e tem um nome: Sample Central. E que hoje está presente em 26 países, abrangendo todos os continentes.

O sample central foi criado em 2007, com o nome de sample lab e se baseia em uma loja com produtos de graça. Isso mesmo, de graça! Os itens vão de alimentícios a eletrônicos. E não  pensem que são produtos de baixa qualidade. Empresas como L'oreal ,Phillips e Nestlé fornecem seus produtos para essas lojas. Em troca, tudo que os consumidores precisam fazer é responder a um questionário online sobre o produto. E há outra regra, o consumidor não pode levar mais que 5 produtos por mês e os mesmos precisam ser distintos.

 O que as empresas ganham com isso? Não estão tendo prejuízo? Na verdade não. A um custo médio irrisório de R$4 mil, para o faturamento de grandes companhias, as empresas tem respostas rápidas de quem mais se interessa pelo produto: o consumidor! Assim, as empresas conseguem reduzir drasticamente seus custos com pesquisa de mercado.

No Brasil o Sample Central chegou em 2010, no estado de São Paulo, mais precisamente na Vila Madela. Mas o negócio inovador e que se espalha ao redor do mundo não durou mais que um ano. Em 2011 o Sample Central Brasil já havia falido. Motivo? Falta de relacionamento com as empresas parceiras. Ou seja, o empresariado brasileiro teve medo de entrar no negócio.

É possível perceber aqui, em um simples exemplo, a dificuldade do Brasil em empreender.

Brasil, um país em que o futuro só chega quando no resto do mundo já é passado.

quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Brasil: trocando desemprego por inflação e vice-versa

O cenário brasileiro de disputa política nunca foi tão prejudicial, a médio prazo, à sociedade, quanto se tem visto no início desta década. Para conseguir votos, o atual governo tem usado  medidas populistas maléficas.
Vamos à questão brasileira de trocas de políticas.

O desemprego em queda nos últimos anos, bem como o boom econômico do início da década alavancaram os índices positivos de aceitação ao governo atual. Mas recentemente, a desconfiança da população tem aumentado. O que houve então com a economia brasileira, que passou a dar passos para trás?

Primeiramente, isso deve-se a política de consumo adotada durante a crise de 2008. Segundo, existe uma relação inversa entre taxa de desemprego e inflação. Desta forma, uma queda no desemprego e uma não adequação estrutural da economia, leva a maiores índices de inflação.

Por último, uma das questões mais relevantes na atualidade, encontra-se o câmbio. O aumento na taxa de câmbio favorece aos exportadores. Logo, a produção será voltada para o exterior. Mas há de se levar em conta o aumento na renda do brasileiro e por consequência o consumo. Mas o mercado interno enfrenta barreiras estruturais e institucionais para suprir estes consumidores. Resultado? Inflação!!!

O que poderia diminuir esse déficit do mercado interno? Expansão dos investimentos nas cadeias produtivas que visam ao mercado interno. E o que tem acontecido? Aumento da taxa de juros, o que acaba inibindo o investimento. Ou seja, mais inflação. Um fantasma que diminui a popularidade de qualquer governo.

O Banco Central tem tentado diminuir o efeito dessas políticas devastadoras tomadas pelo atual governo brasileiro com vários pacotes de dólares, tentando manter em um patamar razoável a taxa de câmbio. Mas uma queda no ritmo do crescimento chinês, alinhado ao crescimento norte-americano e recuperação do comércio internacional, tem dificultado o trabalho do BACEN.

Assim, não se assuste. Nos próximos meses o brasileiro irá se deparar ou com aumento do preço nas prateleiras ou verá notícias no jornal sobre aumento da taxa de desemprego. Tudo para que o governo possa ir enganando os eleitores.

sábado, 27 de julho de 2013

Detroit: contagem regressiva para a pior crise mundial desde 1929?

Muito tem sido falado a respeito do grande déficit no fundo de pensão de muitas cidades norte-americanas. O caso de Detroit, em que o déficit chega a mais de 240% das receitas, vem chamando a atenção. Uma cidade antes rica e que agora apresenta uma taxa de crescimento populacional negativa em 60%, em relação a década de 1950 e com taxa de homicídio cerca de 1000% maior que a média dos Estados Unidos.

Há de se destacar que a riqueza da cidade advinha, em grande maioria, da indústria automobilística, contando com fábricas da GM, Ford e Chrysler, responsáveis por boa parte do emprego na cidade. Mas com o aumento da concorrência internacional e a crise de 2008, as receitas caíram pela metade. 

Devido aos fatos elencados, muitos economistas vem comparando Detroit a Grécia de 2010, com sua crise fiscal. E afirmam que o que está acontecendo na cidade, irá se espalhar pelo país. No caso grego, que representa uma pequena parte da economia europeia, a crise se espalhou rapidamente por todo o continente.

No caso dos Estados Unidos, se tal crise se espalhar pelo território nacional, os danos para economia mundial seria, segundo especialistas, maior do que a crise enfrentada em 1929. E o tempo para que isso ocorra, segundo os mesmos, não é longo, eles dão o prazo máximo de 1 ano.

Dado o que foi exposto acima, é necessário fazer uma análise sobre o que está acontecendo. Primeiramente, existe realmente a possibilidade de acontecer o que os economistas estão prevendo, visto que, o que mais tenho notado é que nada foi feito para se evitar qualquer crise ou fato econômico já telegrafado. Por exemplo, se o PIB do Brasil tem previsão (por parte do mercado) de crescer 2% em determinado ano, tal fato irá ocorrer, mesmo que com uma pequena margem de erro e mesmo que algo possa ser feito, dado a análise preditiva, para que a economia possa mudar sua trajetória e crescer mais que os 2% previstos. Usando outro exemplo, é como se você, leitor, fosse ao médico e o mesmo lhe disse que caso não mude sua alimentação, terás uma doença grave em um mês e ainda sim, você não muda. Ou seja, fadará a morte, por questão de teimosia.

Em segundo lugar, há de se apontar o fato de fatos como esse já terem ocorrido e não terem afetado todo os Estados Unidos. É o caso da cidade de Pittsburgh e sua indústria siderúrgica em meados do século XX. A cidade tornou-se rica, devido a tal indústria, mas logo definhou com a mesma, tornando-se quase uma cidade fantasma. Mas que mudou sua trajetória, reestruturando sua matriz produtiva para um pólo tecnológico e sendo hoje considerada uma das melhores cidades do mundo para se viver. Desta forma, fica o exemplo para Detroit, que forma Shumpteriana, pode mudar seu destino.

Por último, é importante salientar que os Estados Unidos está vivendo o início de um boom energético, que levará a um salto em sua economia e no curto e médio prazo. Desta forma, é necessário sim, dar uma atenção e até reformular as políticas de fundo de pensão e benefícios, para que isto não possa se tornar em um pesadelo no futuro, mas não é algo que possa levar, em curto prazo, a um colapso de toda economia mundial. A não ser, é claro, que como dito antes, tenham "especialistas" que realmente queiram que isto (suas previsões) aconteça.

Obs: A conjuntura americana atual não tende a um desastre econômico de curto e médio prazo.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O que você faria com duas bananas? A ótica comunista.

De início a pergunta pode parecer ser cômica e bem aleatória, assim como este blog. Mas a resposta serve para explicar um mundo totalmente igualitário.

Tenho a certeza de que as respostas advindas de vocês, leitores, foram as mais variadas. Vamos então iniciar nossa sociedade metafórica, o nosso planeta dos macacos. Imaginem que nosso governo decida distribuir duas bananas, por dia, para cada um de nós, com o intuito de erradicar a fome em nosso meio. O que aconteceria? Nós, seremos humanos, temos gostos diferentes. Desta forma, a utilidade dada a cada banana também seria diferente. Para alguns, talvez uma banana fosse o suficiente, mas para outros duas bananas não o seria. Logo, aqueles que só precisam de uma banana estariam dispostos a fazer algum tipo de transação com sua banana extra, enquanto aqueles que precisam de mais de duas bananas estariam dispostos a pagar de alguma forma por mais uma banana.

Expondo isso, fica claro que a teoria utilitarista não pode ser menosprezada, muito pelo contrário. A metáfora utilizada mostra que, em havendo uma distribuição igualitária de renda (no nosso caso, de bananas) por parte do Estado, as diferenças utilitárias fariam com que ainda assim, existisse desigualdade social. Não seria então mais eficiente que o governo disponibilizasse ferramentas para que cada individuo colhesse o número de bananas satisfatório para cada um? É necessário para nossa sociedade como um todo, que as oportunidades sejam oferecidas de forma igualitária, para que os gaps sociais não sejam tão escrachantes. Oferecer a oportunidade para que cada ser humano possa ir em busca de suas liberdades individuais é a política mais eficiente de um governo e é onde seu papel na economia dever ter limite.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Bangladesh: a tragédia por trás da moda

Circula nas redes sociais imagens sobre a tragédia ocorrida em uma indústria têxtil aos arredores de Daca (capital de Bangladesh) há algumas semanas. Na legenda há frases do tipo " Morreram fazendo suas roupas" ou "Culpa do capitalismo". Mas na verdade é preciso entender todo o conceito sobre o processo produtivo para que se possa chegar a uma conclusão menos viesada. Esse post irá fazer um paralelo entre a economia de escala e o ocorrido em Bangladesh.

Inicialmente vamos a alguns conceitos que fazem parte do mundo contemporâneo. Por exemplo, você já ouviu falar em Mcmoda, moda descartável ou selo de dignidade? Michelle Lee, uma das maiores críticas da moda atualmente é quem traz esses conceitos. A autora compara a moda a redes de fast food (por isso Mcmoda), em que as pessoas estão comprando cada vez mais roupas baratas, em que usam só por uma vez e as jogam fora (moda descartável). Mas de onde vem essas roupas? Por que são tão baratas? Bem, as empresas produzem em locais onde a produção seja mais barata. Bangladesh é um exemplo desses locais, em que a industria local é basicamente têxtil e a produção, devido à mão-de-obra, é mais barata. Grandes lojas como Zara e H&M produzem em locais como o citado. E a Zara, por exemplo, vende cerca de 500 milhões de roupas por ano, ou seja, mais de 1 milhão por dia. E mais, todo o processo produtivo da loja, desde a criação até chegar às vitrines em todo mundo duram apenas duas semanas. Assim, toda uma coleção torna-se obsoleta neste período. Corroborando, ainda mais, com a ideia de moda descartável. Mas e onde encontra-se o mal de todo esse processo? A crítica da autora consiste nas condições sub-humanas a que os trabalhadores estão sujeitos nas fábricas e os salários pífios pagos pelas empresas. Aqui já pode encontrar o conceito de selo de dignidade. Segundo Lee 25% dos americanos, por exemplo, estão dispostos  a pagar até 30% a mais por uma roupa que tenha o selo de dignidade e isso se dá por consciência sócio-ambiental. Ou seja, as pessoas pagam mais por saberem que aquela roupa não foi feita sob o processo produtivo supracitado.

Vamos voltar então ao caso de Bangladesh. Muitos apenas ficaram sabendo do ocorrido e já começaram a criticar todo o mundo capitalista. Será que esses críticos conhecem a realidade deste país? Então vamos resumí-la. Há anos existem conflitos religiosos (hindus x muçulmanos) e políticos que tem levado o país a miséria. Já alguns anos com o estabelecimento da indústria têxtil no local, a maior parte da população passou a ter uma vida menos miserável. Resultado? Logo após o ocorrido em Daca, que levou a morte de mais de 1000 pessoas, o governo local quis fechar cerca de 20 fábricas logo de inicio. Na ocasião 96% da população desse país foram contra o fechamento das fábricas. O que significa, que mesmo em condições miseráveis os trabalhadores  locais preferem ganhar pouco a não terem nada. Assim, a culpa de regiões sub-humanas como em Bangladesh seria do capitalismo ou das instituições precárias?


Ps: Por curiosidade, na década de 1960 100% das roupas consumidas por americanos eram feitas dentro dos EUA, passou para 85% na década de 1970 e chegou a 2% na última década. Isso mostra o quão caro é produzir nos EUA. Uma saia da Zara, por exemplo, custa apenas 2 dólares para ser produzida em Daca, já na terra do tio San o custo passa para 14 dólares. Mas ao virar da nova década, a já quase falida indústria têxtil americana passou a ganhar um novo fôlego e tem mostrado crescimento. Podemos estar nos deparando com um novo cenário, em que aumentem o número de roupas "made in USA" ao invés de "made in Vietnan", por exemplo.

sábado, 4 de maio de 2013

O jeitinho brasileiro

João, um país subdesenvolvido e chuvoso, percebeu que para a população pudesse ir trabalhar seria necessário o uso de guardas-chuvas. Assim o governo distribuiu estes equipamentos a toda população, aumentando, assim, a produtividade de João e o desenvolvendo a posteriori.

Emanuel, um país também subdesenvolvido, mas de clima seco, deslumbrou-se com o desenvolvimento de João e achou que ao distribuir guardas-chuvas para sua população também iria se desenvolver. Pobre Emanuel...

A metáfora utilizada serve ilustrar como tem se comportado a política brasileira em busca do tão sonhado desenvolvimento. O Brasil limitou-se, ao longo dos anos a copiar políticas desenvolvimentistas ao invés de adequá-las as estruturas de nosso país. O que ocorre é que não damos nosso tão conhecido  "jeitinho brasileiro" para nos desenvolvermos. Copiamos modelos inadequados a nossa estrutura e erros cometidos por países desenvolvidos.

Tentamos, por exemplo, sair da crise econômica em 2008 expandindo nossa base monetária através do crédito, gerando um crescimento na inadimplência. Não satisfeito, o governo brasileiro tentou, via consumo, safar-se das "marolas" que aqui chegaram, expandindo mais o crédito, em 2011, quando o país batia recorde de inadimplência. Os formadores de política não devem ter lido as desculpas de Paul Krugmam ao povo americano.

Introduzimos também métodos norte-americanos, país com histórico altamente racista, contra o racismo. O governo baseia-se na ideia de que os negros são mais pobres e devem, assim, ter mais oportunidades para saírem da  miséria. Mas este mesmo governo esquece de ver em suas próprias estatísticas, que cerca de 25 milhões de brancos são pobres e que a maioria da população pobre é parda e não negra. Preocupa então a política de cotas adotada pelo governo, que pode estar iniciando um ódio racial, que até então não tínhamos histórico.

Os  preços dos imóveis começam a mostrar quedas após um quinquênio. Não tomamos cuidados após a bolha imobiliária americana? Não aprendemos com os erros do nosso parceiro intercontinental? O tempo irá mostrar para onde andará o Brasil, com o seu jeitinho que querer se desenvolver. 

Mas não copiamos modelos educacionais, métodos de irrigação ou contra violência.