segunda-feira, 13 de maio de 2013

Bangladesh: a tragédia por trás da moda

Circula nas redes sociais imagens sobre a tragédia ocorrida em uma indústria têxtil aos arredores de Daca (capital de Bangladesh) há algumas semanas. Na legenda há frases do tipo " Morreram fazendo suas roupas" ou "Culpa do capitalismo". Mas na verdade é preciso entender todo o conceito sobre o processo produtivo para que se possa chegar a uma conclusão menos viesada. Esse post irá fazer um paralelo entre a economia de escala e o ocorrido em Bangladesh.

Inicialmente vamos a alguns conceitos que fazem parte do mundo contemporâneo. Por exemplo, você já ouviu falar em Mcmoda, moda descartável ou selo de dignidade? Michelle Lee, uma das maiores críticas da moda atualmente é quem traz esses conceitos. A autora compara a moda a redes de fast food (por isso Mcmoda), em que as pessoas estão comprando cada vez mais roupas baratas, em que usam só por uma vez e as jogam fora (moda descartável). Mas de onde vem essas roupas? Por que são tão baratas? Bem, as empresas produzem em locais onde a produção seja mais barata. Bangladesh é um exemplo desses locais, em que a industria local é basicamente têxtil e a produção, devido à mão-de-obra, é mais barata. Grandes lojas como Zara e H&M produzem em locais como o citado. E a Zara, por exemplo, vende cerca de 500 milhões de roupas por ano, ou seja, mais de 1 milhão por dia. E mais, todo o processo produtivo da loja, desde a criação até chegar às vitrines em todo mundo duram apenas duas semanas. Assim, toda uma coleção torna-se obsoleta neste período. Corroborando, ainda mais, com a ideia de moda descartável. Mas e onde encontra-se o mal de todo esse processo? A crítica da autora consiste nas condições sub-humanas a que os trabalhadores estão sujeitos nas fábricas e os salários pífios pagos pelas empresas. Aqui já pode encontrar o conceito de selo de dignidade. Segundo Lee 25% dos americanos, por exemplo, estão dispostos  a pagar até 30% a mais por uma roupa que tenha o selo de dignidade e isso se dá por consciência sócio-ambiental. Ou seja, as pessoas pagam mais por saberem que aquela roupa não foi feita sob o processo produtivo supracitado.

Vamos voltar então ao caso de Bangladesh. Muitos apenas ficaram sabendo do ocorrido e já começaram a criticar todo o mundo capitalista. Será que esses críticos conhecem a realidade deste país? Então vamos resumí-la. Há anos existem conflitos religiosos (hindus x muçulmanos) e políticos que tem levado o país a miséria. Já alguns anos com o estabelecimento da indústria têxtil no local, a maior parte da população passou a ter uma vida menos miserável. Resultado? Logo após o ocorrido em Daca, que levou a morte de mais de 1000 pessoas, o governo local quis fechar cerca de 20 fábricas logo de inicio. Na ocasião 96% da população desse país foram contra o fechamento das fábricas. O que significa, que mesmo em condições miseráveis os trabalhadores  locais preferem ganhar pouco a não terem nada. Assim, a culpa de regiões sub-humanas como em Bangladesh seria do capitalismo ou das instituições precárias?


Ps: Por curiosidade, na década de 1960 100% das roupas consumidas por americanos eram feitas dentro dos EUA, passou para 85% na década de 1970 e chegou a 2% na última década. Isso mostra o quão caro é produzir nos EUA. Uma saia da Zara, por exemplo, custa apenas 2 dólares para ser produzida em Daca, já na terra do tio San o custo passa para 14 dólares. Mas ao virar da nova década, a já quase falida indústria têxtil americana passou a ganhar um novo fôlego e tem mostrado crescimento. Podemos estar nos deparando com um novo cenário, em que aumentem o número de roupas "made in USA" ao invés de "made in Vietnan", por exemplo.

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